Exemplos há aos pontapés, desde às extraordinárias capacidades de actor de Luís Figo, ao sucesso de João Moutinho como empresário, até às revelações de Romicha e Chipenda como poetas, ou de Petar Mitharski como estofador de reconhecido gabarito.
Porém, estamos aqui hoje para falar de música. A música, tal como um drible de Ali El Omari, existe para nos ofertar momentos de êxtase, para nos reconfortar, envolver num doce abraço ou mesmo como forma de dar a volta à cabeça de uma jovem fêmea, embalada pelo canto romântico de um qualquer Clemente. Há mesmo quem diga que o canto musical é uma forma de engate mais eficaz que a cerveja ou que o visionamento do Sérgio Lavos a projectar muco para o relvado num Domingo à tarde.
Como tal, apresentamo-vos os futebolistas mais melódicos do panorama cromístico nacional, e suas infames desventuras no Mundo da K7 pirata e maxi-single da feira.
Respeitando a venerada ordem cronológica, iniciamos a nossa demanda por Itália, carismático País de inusitada formosura arquitectónica, de saboroso arrojo gastronómico e de Emanuele Pesaresi.
Corria o ano de 1981 (ainda faltavam 9 para o nascimento do messias Jonathan Matías Urretavizcaya da Luz) e na localidade de Avellino brilhava intensamente um diminuto avançado brasileiro, explosivo no arranque e de sorriso fácil no rosto. Dava pelo nome de Juary Filho e iria um dia escrever pela sua pena uma bela página do futebol europeu e mundial.
Mas primeiro, o cataclismo.

Famoso pelos números de samba que realizava em torno das bandeirolas de canto depois de molhar o feijão na tapioca, o veloz Jotinha cultivou uma pequena horde de fãs. Um deles teve a infeliz ideia de lhe dar um microfone para a mão direita, uma pandeireta para a mão esquerda, e um artista gráfico presumivelmente amblíope para desenhar (?) este quadradinho de prazer que aqui vêem.
Juntem-lhe uma fotografia representativa de um Juary a berrar aos sete ventos "Tenho prisão de ventre!", e temos a receita macabra que resultou em "Sará Cosi", álbum também conhecido como "a primeira incursão do samba italiano pelas amargas vielas da depressão profunda".
Podem adquiri-lo por 15€ no Ebay. Eu não esperava nem mais um segundo, mas cada um sabe de si.
Linda de Suza não ficou famosa pelos seus dotes futebolísticos (ainda que Teolinda Joaquina - o seu nome de nascença - rivalizasse com um qualquer Rúben Micael deste Mundo), mas decidimos incluir a mademoiselle luso-francesa nestas infames desventuras do casamento melódico-cautchú.

Em 1987 (3 anos antes do nascimento do messias Jonathan Matías Urretavizcaya da Luz) vivia-se a loucura gerada em torno do genial astro argentino Diego Armando. Sendo uma astuta mulher de negócios, Teolinda decidiu elaborar uma receita que a levaria a patamares até então só ocupados por Amália Rodrigues. Era certinho: pegar na fama galopante da hiperactiva cantora de voz cristalina e adicionar-lhe o renome e proveito do melhor futebolista do Mundo.
Hm. Se calhar não era assim tão certo. O resultado final foi uma amálgama sonora tão estrambólica e desconfortável quanto um romântico beijo entre a Zita Seabra e o Vital Moreira num congresso do Partido Comunista.
Porém, Teolinda, com a sagacidade e tenacidade que a caracterizavam, não se deu por derrotada. Planeou cuidadosamente o regresso à ribalta, num cirúrgico remake que iria fazer o seu primeiro "casamento" com o esférico cair no esquecimento. No ano da graça de 1994, a chanteuse faria o seu retumbante retour às costas de um insigne joueur de foot, e obter a sua révanche perante o público luso-francês. Para tal, a nossa Suza decidiu seleccionar um indivíduo que fosse representativo de características comuns à própria baladeira e ao 10 argentino:
Rui Esteves.
Descrito por mais do que uma vez como um "Maradona contrafeito", este loiro elfo dos relvados carregaria a sua valise en carton por 11 clubes ao longo da sua carreira como profissional, cotando-se como um emigrante de luxo em Países como Inglaterra, Coreia, Allgarve e China, bem à imagem da cantatrice que o tomou como Musa.
Infelizmente, esta parceria correu tão bem quanto a primeira, arrastando Teolinda de Suza para uma precoce decadência e precipitando o final de sua carreira como a Tony Carreira feminina. Esteves, que destrocava futebol a alto nível no Sado antes desta aventura extra-futebol, recebeu o mais letal beijo da morte que um futebolista poderia almejar: uma transferência para o Benfica de Artur Jorge.
Não foi, com toda a certeza, o final feliz que todos desejariam, mas de uma coisa podemos ter a certeza. O vencedor não foi a música.
Iremos postar mais álbuns de referência musical-futeboleira em breve. Stay tuned.
3 comentários:
Es o Julio Iglesias da blogosfera.
Patric disse que Rui Costa e "Deus", JJ sera oxala o proximo treinador do Benfas, so falta Nuno Espirito Santo e teremos a Santissima Trindade na Catedral da Luz.
Ja imagino os "mindgames" com PB e J"Pepsodent"Ferreira, as tricas junto a linha, os post-comentarios em jogos europeus.
-JJ como se sente depois desta derrota por 6-1 contra os cipriotas do Neo Salamis (com arroz ou em pao Neo Salamis e sempre bao....voce ja viu um branco de carapinha ou um preto de cabelo loiro? Restaurador Olex Bunbury, sim o vocalista dos Heroes del Silencio a claque do Uniao de Leiria).
- JJ porque nao joga o irmao mais bonito da familia Ribeiro?
- JJ que champo usa para a Casquilha?
As capas da Bola e do Record por altura da Pascoa e do Natal ou melhor durante todo o ano.
Golo de Roma crucifica Jesus
Milagre em Fatima
rui esteves= loiro elfo diego contrafeito
hehehehe
Por isso o Juary jogava tão poucos minutos! A cabeça dele estava com o microfone (salvo seja)! E as pessoas ainda não estavam preparadas para a técnica do Rui Esteves nem para o arrojo gráfico do trabalho da Teolinda. É pena, mas os futuros compêndios de História far-lhes-ão justiça.
("Far-lhes-ão" soa que é um espectáculo)
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